domingo, 24 de julho de 2011

27 de Abril de 1937

Querida irmã,
Escrevo-lhe esta carta do navio, a caminho de Verona. Já sinto falta da vida que levava na Irlanda, mesmo que tenha ido embora há apenas três horas.
Desde que você, minha amada irmã, se casou com o senhor Lazar, e mudou-se para a Inglaterra, venho me sentindo solitária. Desconfio que essa seja a razão de meus pais a fazer-me ir para a casa dos primos Lockwood.
Eu os amo, não me entenda mal, mas eu gostaria de ficar em casa, como sempre fiquei. Abandonar minha simples rotina está sendo, e será muito difícil, tenho certeza.
A viagem no navio está sendo agradável, apesar do leve enjôo marítimo que sinto. Devo chegar na Itália daqui há alguns dias, e isso só faz aumentar minha solidão.
Papai e mamãe devem estar, nesse momento, cuidando de nossa lavoura. Teremos uma boa colheita, esse ano. Mas, embora não queria ter partido, fico feliz por assim adiar a procura por um marido. E também encantei-me com a confiança de nossos pais em mim, deixando-me viajar sozinha.
É claro, eu não pretendo sair de meus aposentos, para entreter-me com jogos e dança. Prefiro isolar-me com um bom livro, até desembarcar. Certamente, Os primos Lockwood estarão a minha espera no porto.
Querida irmã, despacharei esta carta assim que chegar em Verona, e espero que me responda em breve, contando sobra como você e seu marido estão. Ficarei feliz com suas palavras de consolo, prometendo-me uma vinda longa e feliz, como sempre faz. Sei que nossos pais estão com saudades, mas não mais do que eu. Aguardarei notícias suas ansiosamente, pois sei que acalmar-me-ei assim que lê-las.
Com amor,
Lucinda.
 

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